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08 de dezembro de 2019
 
 Antídoto na Imprensa
05/03/2004
Estado Não Tem Dinheiro para Apoiar Programa Anti-venenos

Estado Não Tem Dinheiro para Apoiar Programa Anti-venenos
Por Marisa Miranda 
Público, Sexta-feira, 05 de Março de 2004

Sob o olhar atento de algumas crianças, foram ontem libertados três grifos que sobreviveram ao alegado envenenamento massivo que ocorreu em Idanha-a-Nova, em Novembro do ano passado. Um gesto simbólico que serviu para assinalar a apresentação pública do programa "Antídoto - Portugal", cujo fim último é que casos como o que se registou neste concelho raiano não se repitam. Este episódio matou 36 grifos, três milhafres-reais e três abutres-negros, uma espécie quase em vias de extinção em Portugal.

Quatro meses depois de terem dado entrada, moribundas, no Centro de Recuperação de Aves Selvagens de Castelo Branco, as três aves que resistiram a este "atentado" voltaram ao seu "habitat" natural, ao lado de mais um grifo e dois abutres-negros, que vieram do Centro de Recuperação do Parque Nacional da Peneda-Gerês. O "crime ambiental" que ocorreu em Idanha-a-Nova continua a ser investigado, mas o representante da Quercus de Castelo Branco, Samuel Infante, pede "punição exemplar".

Este caso acabou por acelerar a elaboração do programa "Antídoto", um plano nacional contra o uso de venenos para controlo de predadores, apresentado ontem, ensombrado por uma eventual falta de financiamento. É que, neste momento, o Instituto da Conservação da Natureza (ICN) não tem verba disponível, que se estima ser de 100 mil euros, para assegurar a comparticipação nacional da candidatura do programa ao Interreg, em conjunto com Espanha e França.

A notícia foi transmitida, esta semana, ao grupo de trabalho deste programa que visa combater uma prática sobretudo utilizada por caçadores e criadores de gado, com graves efeitos sobre a fauna selvagem. O "Antídoto" envolve 16 entidades públicas e privadas ligadas à conservação da natureza, entre elas, o próprio ICN. Um dos coordenadores e responsável da Quercus de Castelo Branco, Samuel Infante, mostrou-se indignado com este 'recuo' no processo, que deixa "aflitos" os promotores e parceiros do "Antídoto", apresentado ontem em Idanha-a-Nova. "Não compreendemos como é que, por exemplo, na Cimeira Ibérica da Figueira da Foz houve o compromisso político da parte de ambos os ministérios no sentido da questão dos venenos ser um tema ibérico prioritário e agora não há disponibilidade do ICN para financiar o programa", salientou o ambientalista.

Para tentar não inviabilizar este projecto, de reconhecida importância por todos os parceiros envolvidos, a equipa do "Antídoto" está a recorrer às autarquias de todo o país e pretende ainda "subir ao Ministério do Ambiente para que este possa disponibilizar a verba necessária". O PÚBLICO contactou o ICN, para obter esclarecimentos, mas não conseguiu, porque o presidente do organismo estava em reunião.


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