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08 de dezembro de 2019
 
 Antídoto na Imprensa
04/03/2004
Antídoto contra os venenos

Programa apresentado
Antídoto contra os venenos

por Cristina Mota Saraiva
in Reconquista - Semanário Regionalista da Beira Baixa

Castelo Branco vai dar o pontapé de saída na criação do Projecto Antídoto. Uma iniciativa inovadora, que vai conseguir parcerias com Espanha e possivelmente França, na defesa de animais, com a implementação de medidas com vista a combater o flagelo do veneno, que tem uma dimensão muito superior à que se pode imaginar.

O Projecto Antídoto - Portugal é um programa inovador a nível nacional, que está a ser lançado em Castelo Branco. Trata-se de uma plataforma de cooperação entre várias organizações e instituições criada a 12 de Janeiro de 2003, em Arcos de Valdevez. O espaço de intervenção desta plataforma é o território nacional, implantando medidas comuns e em colaboração com as organizações que desenvolvem o Programa Antídoto em Espanha , criado em 1998. A acção coordenada entre os dois países da Península Ibérica e que futuramente se pretende alargar a outros países europeus (já há contactos com França) é considerada essencial para conhecer e minimizar o impacte do uso de venenos.

Neste momento, a coordenação do Programa Antídoto em Portugal está a cargo da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, através do Núcleo de Castelo Branco, e do NEPA - Núcleo de Estudo e Protecção da Natureza (UTAD, Vila Real). A sede administrativa está instalada em Castelo Branco, na Quercus.

Mas, segundo Cláudia Silva, da Quercus de Castelo Branco, o grupo de trabalho que constitui este projecto, para além de diversas Câmaras Municipais integra outras organizações promotoras. Nomeadamente o FAPAS - Fundo para a protecção de animais selvagens , o ICN - Instituto de Conservação da Natureza , a LPN - Liga para a Protecção da Natureza , entre outros, contando, ainda, com vários parceiros e colaboradores, como o SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana , a Direcção Geral de Veterinária e, para além de outros, a Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza.

“Há muita gente a utilizar venenos para controle de predadores”, continua Cláudia Silva, referindo, como exemplo pastores, por causa dos cães selvagens ou caçadores. Ora, estes venenos são consumidos, na sua grande maioria pelos necrófagos, uma vez que são colocados os iscos em ovelhas inteiras e as aves vão direitas a eles.

Esta quinta-feira, dia 4, é apresentado este programa que pretende conhecer a dimensão do uso de venenos em Portugal e estabelecer medidas de controlo desta prática, que é considerada uma importante ameaça à conservação de algumas espécies silvestres de hábitos necrófagos, como é o caso do Abutre-preto, o Britango, o Grifo, o Milhafre-real, ou o Lobo-ibérico.

Pretende-se criar uma rede de informação e um conjunto de mecanismos e procedimentos que permita reunir todo o material e dados disponíveis, de forma a identificar as zonas mais críticas, os tipos de venenos utilizados e as principais motivações que levam ao uso de venenos. Esta será a base para que numa fase posterior se consiga avaliar o seu impacte sobre as populações de animais silvestres. Tudo isto surgiu após o envenenamento de aves em Novembro passado, no concelho de Idanha. Por isso mesmo, o lançamento deste projecto será feito aqui, prevendo-se a libertação de cinco grifos, três dos quais sobreviventes daquele envenenamento, e dois abutres-pretos, junto ao santuário de Nossa Senhora do Almortão.


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