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08 de dezembro de 2019
 
 Antídoto na Imprensa
27/02/2004
Programa Antídoto quer evitar morte acidental de animais selvagens por envenenamento

Jornadas na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Programa Antídoto quer evitar morte acidental de animais selvagens por envenenamento

27-04-2004 - Lusa

A utilização de veneno para controlar os predadores das espécies pecuárias e cinegéticas está a matar, acidentalmente, várias espécies selvagens, algumas com populações pouco estáveis, alertou hoje Ricardo Brandão, coordenador do Programa Antídoto em Portugal, nas I Jornadas Técnicas do programa, na Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real.

Entre 1992 e 2003 morreram, por envenenamento ou suspeita de envenenamento, 506 animais selvagens e domésticos, avançou Ricardo Brandão, lembrando que apenas são encontradas dez por cento das vítimas.

O principal objectivo do Programa Antídoto, apresentado em Março, é conhecer a dimensão real do uso de venenos em Portugal, avaliar o seu impacto sobre as populações de animais silvestres e contribuir para a preservação das espécies.

Para isso será criada uma rede de informações para reunir o material e dados disponíveis, de forma a identificar as zonas mais críticas, os tipos de venenos utilizados e as principais motivações que levam ao seu uso.

O envenenamento é promovido por caçadores ou criadores de gado e as espécies alvo são, principalmente, cães vadios, lobos ou raposas. Segundo Ricardo Brandão, é também muito frequente o uso de venenos para controlo de roedores e aves silvestres consideradas prejudiciais às actividades agrícolas.

"O problema é que o uso de venenos não vai afectar apenas a população alvo, mas sim todos os animais que posteriormente possam ingerir esses animais envenenados, como acontece com as aves de hábitos necrófagos" como os abutres, alertou. "Estas práticas demonstram um total desrespeito pelo ambiente e a biodiversidade".

Soluções alternativas avançadas por Ricardo Brandão são a utilização de armadilhas ou batidas, organizadas para abater um determinado número de animais de uma espécie que esteja a causar muitos prejuízos.

"Usar os venenos nos campos faz com que estes entrem na cadeia alimentar, afectando esses animais e muitos outros que se vão alimentar deles. É um método que toma proporções por vezes incontroláveis", sublinhou.

Em Novembro passado morreram em Idanha-a-Nova 36 grifos, três abutres pretos e três milhafres reais por causa de venenos.

Ricardo Brandão apelou à denúncia dos casos de envenenamento, pois são ilegais, para o SOS Ambiente (808200520) ou directamente para a GNR.

Neste momento, a coordenação do Programa Antídoto está a cargo do núcleo de Castelo Branco da Quercus e do NEPA - Núcleo de Estudo e Protecção da Natureza (UTAD, Vila Real) O projecto envolve ainda 14 entidades, como o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e o SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR.

http://www.ecosfera.publico.pt/noticias2003/noticia3229.asp



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