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 Antídoto na Imprensa
21/02/2005
Idanha-a-Nova pode integrar rede europeia de municípios com controlo de tóxicos

 

Idanha-a-Nova pode integrar rede europeia de municípios com controlo de tóxicos

 

Segunda, 21 de Fevereiro de 2005
Por Marisa Miranda, Jornal Público

 

 

 

Estudar e conhecer a dimensão do uso de venenos em Portugal e estabelecer medidas de controlo desta prática, que é considerada uma séria ameaça à conservação de algumas espécies selvagens, como o abutre-negro, o grifo, o milhafre-real e o lobo-ibérico

 

O concelho de Idanha-a-Nova poderá integrar a rede europeia de municípios com controlo de tóxicos, utilizados normalmente para afastar predadores, com graves efeitos sobre a fauna selvagem. O projecto "RuralNatur" foi candidatado ao Interreg III B, pelo programa Antídoto - Portugal, uma plataforma de luta contra o uso ilegal de venenos, formada por diversas organizações e instituições públicas e privadas portuguesas, nomeadamente a Confederação Nacional de Caçadores Portugueses (CNCP) e a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça. O resultado da candidatura deverá ser conhecido ainda este mês.

Além de Idanha-a-Nova, esta rede deverá englobar mais três municípios de Andaluzia, Astúrias e Canárias, em Espanha. Segundo o coordenador do programa Antídoto - Portugal, Ricardo Brandão, este projecto visa "criar regiões-piloto o­nde sejam implementados mecanismos de gestão cinegética, controlo de cães assilvestrados, controlo do uso de pesticidas e outros venenos que representam actualmente a maior ameaça à biodiversidade em Espanha e Portugal e ainda estratégias de promoção do turismo de natureza". O "RuralNatur" propõe "que a rede de municípios alcance estes requisitos, necessários para obter uma certificação de excelência ambiental que proporcione um modelo de gestão sustentável do território, a que, posteriormente, se possam juntar outras regiões".

Este projecto, cuja execução decorrerá entre Maio deste ano e Abril de 2007, orçado em 1.484.000 euros, esteve em risco por falta de financiamento do Instituto de Conservação da Natureza, para assegurar a comparticipação nacional, mas o Ministério do Ambiente acabou por assumir esse compromisso, adiantou ao PÚBLICO Ricardo Brandão.

Estudar e conhecer a dimensão do uso de venenos em Portugal e estabelecer medidas de controlo desta prática, que é considerada uma séria ameaça à conservação de algumas espécies selvagens, como o abutre-negro, o grifo, o milhafre-real e o lobo-ibérico é um dos principais objectivos do Antídoto, consubstanciado neste projecto candidatado ao Interreg. Desde o início do ano, mais de 10 casos de envenenamento foram registados pela equipa do programa Antídoto, apresentado em Idanha-a-Nova, em Março de 2004, pouco tempo depois do envenenamento maciço que ocorreu neste concelho raiano e que levou à morte de 36 grifos, três milhafres-reais e três abutres-negros. Este episódio acabou por acelerar a elaboração desta estratégia, cujo fim último é que casos como este não se repitam.

Entretanto, a plataforma Antídoto viu aprovados pelo Instituto do Ambiente dois projectos, um contemplado com dois mil euros para a promoção de acções de informação, divulgação e educação ambiental, e outro com 4300 euros, para a aquisição de vários "kits"-veneno, para equipar as autoridades e para a realização de acções de formação. Este último projecto será apoiado também pela Black Vulture Conservation Fundation, de Maiorca, actual coordenadora do programa Antídoto em Espanha. Também estão a ser feitos contactos com empresas portuguesas para garantir um apoio na aquisição do material necessário para equipar as autoridades. Aguarda aprovação um terceiro projecto, apresentado em Dezembro do ano passado, pelo Antídoto, para a realização de diferentes acções de informação e divulgação junto dos caçadores portugueses.


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