A GNR foi chamada na segunda-feira de manhã em Vila Pouca, concelho de Castro Daire, para recolher seis cães supostamente envenenados. Os cadáveres foram enviados para a UTAD para serem autopsiados
Seis cães foram encontrados na manhã de segunda-feira mortos em Vila Pouca de Aguiar, no concelho de Castro Daire. O Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Viseu foi de imediato chamado ao local para recolha dos animais que depois foram enviados para a Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para serem autopsiados.
De acordo coma GNR de Viseu, os cadáveres de seis cães supostamente envenenados serão de donos desconhecidos. O processo poderá seguir para tribunal, caso se confirme a suspeita de envenenamento, acrescentou.
Os cães foram encontrados ao início da manhã de segunda-feira junto à entrada para uma residência, «dois deles cheios de espuma na boca», contou a popular que alertou a GNR em declarações à Lusa.
«Em primeiro encontrámos quatro e depois mais dois, uns metros mais à frente. Um deles tinha coleira. Como se tratava de um caso de saúde pública liguei para a GNR, que os veio buscar a meio da tarde», referiu.
A mesma fonte disse nunca ter visto aqueles seis cães, mas contou ser habitual haver «animais abandonados por caçadores naquela zona», onde existem dois restaurantes.
Segundo o responsável pelo SEPNA, o envio do cadáveres para a UTAD é um procedimento normal, não só para serem analisadas as causas da morte dos animais, mas também porque se trata de um método utilizado sempre que há a morte suspeita de animais.
«Através do programa Antídoto, é recomendado que sempre que apareçam cadáveres de animais, eles sejam recolhidos e levados para um laboratório», disse fonte do SEPNA, explicando que se trata de um programa adoptado há um ano por Portugal e que tem como principal objectivo ajudar a criar uma plataforma contra o uso de venenos, no sentido de contribuir para a conservação de várias espécies (e respectivos ecossistemas) que se encontram ameaçadas pela utilização de venenos.
O programa pretende conhecer a dimensão do uso de venenos em Portugal e estabelecer medidas de controlo desta prática, que é considerada uma importante ameaça à conservação de algumas espécies silvestres de hábitos necrófagos, como é o caso do Abutre-preto, o Britango, o Grifo, o Milhafre-real ou o Lobo-ibérico.
Neste momento, a coordenação do Programa Antídoto em Portugal está a cargo da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza (Núcleo de Castelo Branco) e do NEPA - Núcleo de Estudo e Protecção do Ambiente (UTAD, Vila Real).
O principal objectivo do Programa Antídoto é conhecer a dimensão real do uso de venenos. Para isso é criada uma rede de informação e um conjunto de mecanismos e procedimentos que permita reunir todos o material e dados disponíveis, de forma a identificar as zonas mais críticas, os tipos de venenos utilizados e as principais motivações que levam ao uso de venenos. Esta será a base para que numa fase posterior se consiga avaliar o seu impacte sobre as populações de animais silvestres.