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08 de dezembro de 2019
 
 Veneno na Imprensa
09/12/2004
Raposas envenenadas em território da Rede Natura (Beja e Mértola)
 

Raposas envenenadas em território da Rede Natura
Público, 9 de Dezembro de 2004
por Carlos Dias


Várias raposas foram encontradas na semana passada mortas por envenenamento em zonas próximas de vários coutos de caça, entre Beja e Mértola, em áreas classificadas da rede Natura 2000.

Henrique Mestre, residente no Monte dos Eucaliptos, na freguesia da Salvada, concelho de Beja, dirigia-se com um rebanho de cabras para um pasto localizado a cerca de três quilómetros do monte o­nde vive. De repente, os cães que o acompanhavam deram sinal de que algo estranho estaria por perto. deparou-se então com uma raposa morta. Um dos canídeos lambe-lhe o focinho. Poucas dezenas de metros adiante encontrou outra e, mais há frente, outra ainda, já cadáveres há algumas semanas, em plena área classificada da rede Natura 2000.
 
O pastor deduziu, preocupado, que os bichos não tinham sido mortos a tiro pelos caçadores e como medida de precaução afastou o rebanho do local, ao mesmo tempo que notava um comportamento estranho no animal que se tinha abeirado do cadáver de uma das raposas. "Começou por dar às orelhas, a perder o brilho nos olhos e a babar-se como nunca o tinha visto. Em 20 minutos morreu-me o canito" recorda Henrique Mestre, que ainda correu para o monte para tentar salvar o animal, mas sem resultado.

De imediato alertou a GNR da freguesia da Salvada/Beja, os serviços veterinários da zona agrária de Beja e o Parque Natural do Vale do Guadiana. Esta última entidade enviou ao local um dos seus técnicos que percorreu a área envolvente o­nde foram encontradas as raposas mortas, mas não viu mais nenhuma. O Parque Natural já tinha sido informado da morte de oito vacas e de alguns cães de uma forma "que pareceu estranha", segundo referiu Ana Zúquete, directora da área protegida. Um médico veterinário efectuou uma necropsia (recolha de tecidos) dos bovinos mas o Parque Natural ainda não recebeu os resultados, esclareceu a mesma dirigente, manifestando "preocupação" com a morte das raposas, das vacas e dos cães com o uso do veneno por se verificar dentro de uma área protegida.

Entretanto, Henrique Mestre manteve durante vários dias, coberto de palha, o cadáver do cão envenenado, à espera que os serviços veterinários se deslocassem ao local para fazer análises aos tecidos do animal, mas foi obrigado a queimar o animal com receio que "os outros cães fossem lá tocar-lhe".

O agricultor diz que as suas cabras estão em risco se as levar para o pasto o­nde continuam as raposas mortas. Receia que o local esteja contaminado com estricnina, o veneno que passou a ser usado para matar os predadores, nas reservas de caça, em substituição do "605 Forte", cuja venda foi proibida. Henrique Mestre alerta que as raposas mortas estão a servir de alimento "a todo o bicho de bico curvo que coma carne", pondo em perigo espécies em vias de extinção "como os gaios, as águias e os corvos".

Até as matilhas de cães que são usados nas batidas aos javalis estão em perigo de envenenamento se as raposas não forem recolhidas. A tentativa para ouvir o responsável pelos serviços veterinários da zona agrária de Beja não resultou, por este se encontrar de férias.







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