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 Veneno na Imprensa
25/09/2004
Reserva de Caça Acusada de Usar Iscos Envenenados (Montemor-o-Novo)
 

Reserva de Caça Acusada de Usar Iscos Envenenados
Público, 25 de Setembro de 2004
por Carlos Dias

"Vivemos num clima de medo" desabafa Teresa Baptista proprietária do Monte Almansor que faz vizinhança com uma Reserva de Caça Associativa concessionada ao Clube de Caça da Basbaia, sediado em Montemor - o - Novo.

A frequência com que surgem à porta da sua propriedade e de outras próximas, cães envenenados, leva-a a admitir que a causa da morte está no envenenamento de iscos de carne, que, presume, sejam espalhados por vários lados pelo guarda da reserva de caça. "Os animais aparecem nos montes a babarem-se e a tremer", prossegue Teresa Baptista, para referir o perigo que isto representa para as crianças que "correm aflitas" a socorrer os bichos. "Mas eles acabam por morrer, no meio de grande sofrimento".

É assim "de há um ano para cá" refere a proprietária do Monte Almansor, salientando ainda o socorro que têm prestado aos cães que caçadores abandonam amarrados às árvores com arames e cordas. "Já recolhemos animais com a as patas decepadas" recorda por seu turno Jaime Gomes, marido de Teresa Baptista.

O guarda da reserva, segundo acusam, ameaça constantemente os proprietários dos montes localizados no interior da zona de caça, quando estes passeiam com os seus cães. "Se vejo esse animal no couto dou-lhe um tiro" diz ele, ao que conta o proprietário de outro monte próximo, que pediu o anonimato alegando ter medo de represálias. Um pastor conta que já teve um cão amputado numa armadilha. Mas disse não querer queixar-se por recear as consequências. Os animais ao sentirem-se presos por uma das patas num laço de arame, não desistem de fazer pressão até se libertarem, só o conseguido com a mutilação. Alguns predadores chegam a roer a própria pata para se soltarem.

Vários proprietários afectados pelo uso dos iscos envenenados estão a preparar para apresentar hoje, junto da GNR de Montemor - o - Novo, uma queixa contra a Reserva de Caça Associativa, registada na Direcção Geral de Florestas, com o número 2109. E juntam relatórios de médicos veterinários que comprovam a morte de animais por intoxicação. Um dos documentos refere que "todo o trânsito intestinal (de um dos cães) teve hemorragias internas" em princípio causadas pela ingestão de carne de frango, que se encontrava presente.

Jaime Gomes refere que esta decisão é o último recurso "depois de termos tentado resolver o problema de uma forma consensual". Qualquer dos queixosos quer ver preservada ambientalmente a sua propriedade, o­nde têm para além de cães, outros animais domésticos como galinhas, patos e perus à solta.

A morte de predadores, será outra das consequências do uso de iscos envenenados. Jaime Gomes diz que no ano passado ( em 2003) contou oito águias voando em simultâneo. "Este ano só vejo três". Mas para além das rapinas existem lontras, doninhas e garças que os residentes receiam poder ser também envenenadas, para salvaguardar as espécies cinegéticas como coelhos, lebres e perdizes.

O PÚBLICO instou João Picanço presidente de direcção do Clube de Caça da Basbaia, a comentar as acusações de uso de iscos envenenados na reserva de caça que lhes foi concessionada, mas o mesmo negou tudo. "Nunca se envenenou uma grama de carne" e " dentro daquela herdade não há nada" que indique o uso de venenos para matar cães ou predadores, garante, acrescentando que "por acaso há muito poucos" predadores.

Mas se eventualmente lá foram encontrados iscos envenenados "não me admira nada que tivessem sido colocados de propósito para acusar o clube". João Picanço, considera a acusação "sem jeito" frisando que tem por hábito levar os cães quando caça e "nunca nenhum morreu envenenado".







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