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08 de dezembro de 2019
 
 Veneno na Imprensa
18/03/2004
Andam a envenenar cães na marginal da praia (S. Martinho do Porto)
 

Andam a envenenar cães na marginal da praia (São Martinho do Porto)

Correio da Manhã, 18 de Março de 2004

por Francisco Gomes

 

Um “psicopata” anda a matar os cães que passeiam na avenida marginal de São Martinho do Porto, junto à praia, utilizando salsichas minuciosamente preparadas com veneno. A polícia desconhece as razões de tal acto e está de alerta, enquanto que os donos dos animais exigem o reforço da vigilância, alarmados com as dezenas de canídeos que aparecem com convulsões e envenenados.

Carlos Jordão, um dos moradores queixosos, contou ao CM que o método utilizado consistia, primeiro, em “chouriços para cão, cortados em fatias, impregnadas em veneno que cheirava à distância”. Nos últimos casos, têm aparecido “salsichas cortadas na ponta e com veneno no interior”. A comida é colocada “nuns recantos junto ao paredão que separa o passeio da praia e junto às árvores, escondida debaixo das ervas”, o que pressupõe que “não é alguém que passe ali e deixe cair o produto, tem de se baixar e andar a colocar com cuidado uma a uma”.

“Isto deve dar um grande trabalho e ter custos, e se uma criança toca naquilo, por curiosidade, não sei o que pode acontecer”, manifestou Carlos Jordão. A sua esposa, Deolinda Pereira, indicou que “tenho andado a avisar as pessoas para terem cuidado e já me devem chamar ‘a maluquinha do veneno’”.

A médica veterinária de São Martinho do Porto, Ana Paula, elaborou um relatório com os quinze casos mais importantes que passaram pelo seu consultório, tendo conhecimento de muitas mais situações ocorridas desde o Verão passado. Esta responsável, que confessa estar “atormentada”, não tem dúvidas: “Há um psicopata a matar os animais”.

Alguns dos cães que lhe chegam às mãos conseguem ser salvos, após injecções de antídoto de venenos organofosforados, contudo, quando a dose de veneno ingerida é grande, os animais morrem, após algumas horas em agonia.

Num dos casos, “o proprietário de uma caniche disse-me que ela estava quase a morrer após ‘cheirar’ uma palmeira da marginal”. Noutro, “um morador trouxe o seu cão com convulsões violentas, após passeio na marginal, e o animal nunca saiu do estado de prostração absoluta e morreu seis dias mais tarde”. Outra residente relatou que “viu que o seu animal ingeriu algo redondo e castanho, semelhante a salame, começou com convulsões incontroláveis, nunca saiu do estado comatoso e morreu dois dias depois”. O possuidor de uma casa de férias em São Martinho também viu o seu cocker a comer uma salsicha numa palmeira no passeio da avenida junto à praia, caindo prostrado.

A veterinária revelou que uma autópsia feita num laboratório de investigação veterinária em Benfica não conseguiu analisar todas as moléculas do grupo de venenos, desconhecendo-se por isso a sua real composição.

O comandante da PSP local, António Caroça, confirmou ao CM que recebeu na esquadra algumas queixas, encaminhadas para o Ministério Público, e assegurou que deu ordens aos agentes para “reforçarem a vigilância”, apelando à população que denuncie “movimentos estranhos na marginal”. Admitiu, no entanto, ser “extremamente difícil” controlar a situação, tendo em conta os meios humanos disponíveis.

O chefe da polícia, que disse ser possuidor de cinco cães, recomendou também aos donos de animais para “andarem com os cães com trela e açaimados, impedindo que ingiram o que encontram na via pública”.

Manuel Pereira, presidente da Junta de Freguesia, que está preocupado com a situação, avisou também a população para ter cuidado nos próximos dias, porque a autarquia vai, a partir de 9 de Março, até ao final do corrente mês, efectuar várias aplicações de herbicida para matar as ervas que crescem nos jardins públicos. “Deve haver o maior cuidado com as crianças e animais neste período”, alertou.

 

http://oeste.info/noticias/noticia.asp?nid=5538







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