Programa Antídoto Portugal » Tóxicos e Fauna » Rodenticidas
24 de agosto de 2019
 

 Rodenticidas

Os Rodenticidas são os tóxicos utilizados para matar roedores. Entre os vários tipos existentes devem-se destacar os Anticoagulantes, grupo mais utilizado a nível mundial. Este tipo de tóxicos existe desde 1940 e a sua potência tem vindo a aumentar progressivamente em resposta às resistências adquiridas pelas populações de roedores.

Com as substâncias mais antigas, como a Warfarina, era necessário que os roedores ingerissem vários iscos, porque a sua potência era relativamente baixa. Actualmente existem os chamados rodenticidas de segunda geração, como a Bromadiolona ou o Brodifacume, que são no mínimo 100 vezes mais potentes que a Warfarina, e podem matar os ratos de forma imediata após uma única ingestão do produto.

O impacte destas “novas” substâncias sobre diversas espécies de fauna selvagem, em particular aves e mamíferos, foi comprovado com diversos estudos científicos experimentais e com a ocorrência de elevadas mortalidades após campanhas de uso de rodenticidas em vários locais em todo o mundo.

Apesar de ainda ser negado por muitas empresas que vendem e aplicam os rodenticidas de segunda geração, a possibilidade de envenenamento secundário está comprovada experimentalmente (Stone et al. 1999), ou seja, os ratos mortos quando ingeridos por outras espécies podem provocar o envenenamento secundário destas.

O Brodifacume, utilizado regularmente de forma legal pelas empresas de desratização em Portugal e noutros países, foi diagnosticado como a causa de morte de Mochos-de-orelhas americanos (Otus asio) e Corujas das Torres (Tyto alba) nos EUA, de Corujas do Mato (Strix aluco), Águias-de-asa-redonda (Buteo buteo), Pegas-rabudas (Pica pica) e Raposas (Vulpes vulpes) no Reino Unido, e em muitos outros locais.

Em França, um estudo de 4 anos sobre envenenamentos de Fauna Selvagem com rodenticidas anticoagulantes detectou 59 casos provocados pela Bromadiolona e 41 pela Clorofacinona. A Bromadiolona, também comercializada e utilizada em Portugal, é apontada como responsável pelo envenenamento secundário de variadíssimas espécies de fauna selvagem protegida na Suiça, Malásia, Nova Zelândia, EUA, entre outros locais.

No entanto, os possíveis efeitos do uso de rodenticidas anticoagulantes não se ficam apenas pela mortalidade que provocam por envenenamento secundário. Um estudo realizado no Reino Unido entre 1990 e 1994 determinou que um terço das aves mortas analisadas estava contaminada com rodenticidas de segunda geração, mas apenas 2% tinham morrido directamente devido à dose de tóxico que ingeriram. Estes dados levantam suspeitas sobre possíveis efeitos sub-letais, que podem predispor a fauna a outros problemas, tornando-os mais susceptíveis a outras causas de mortalidade, como por exemplo o atropelamento (Wyllie 1995).


- Envenenamento com Rodenticidas -

webmaster@antidoto-portugal.org

Copyright © 2005 Programa Antídoto-Portugal